Destaque na arte contemporânea, Luca Benites, inova no segmento, e choca o mundo ao incinerar toda a sua produção artística.
Por Fausto Neto
Vou iniciar esse texto com uma reflexão... Se você fosse um artista, teria coragem de queimar todas as suas obras, depois de 18 anos de trabalho?
Tenho certeza, que a maioria das respostas estaria entre expressões como "eu jamais faria" e "é loucura.
Pois bem, isso é um fato e seu idealizador é o arquiteto e artista visual brasileiro, Luca Benites, reconhecido e considerado um jovem expoente no campo da arte contemporânea em todo mundo.
Mas antes de falar deste projeto, que causou um grande choque no mundo das artes, vamos saber mais sobre o seu autor.
Filho de pais nada familiarizados com o mundo das artes, o jovem Luca passou literalmente sua primeira etapa de vida viajando com eles, por conta do ingresso de seu pai na carreira diplomática, trabalhando para Organização das Nações Unidas.
Crescendo, e vivendo em países diferentes, Luca aprendeu vários idiomas e culturas. Mas ao morar por 15 anos, em Montevidéu, no Uruguai, e fazer Faculdade de Arquitetura, teve seu primeiro contato com as artes, tendo feito suas primeiras pinturas, em 1998.
Em 2000, ainda como estudante de arquitetura, já iniciou seu trabalho na área, e começou a construir seus primeiros edifícios em Montevidéu. Local, em que também abriria seu escritório de arquitetura com mais três colegas de faculdade.
Este seu escritório durou de 2002 a 2008, e mesmo com todo sucesso no empreendimento e na carreira, decidiu deixá-lo, para dedicar-se integralmente a arte, e mudar-se para Europa, local que culturalmente valoriza muito a área artística.
Já morando em Barcelona, na Espanha, se dedicou de 2010 a 2013 inteiramente aos estudos, fazendo mestrado em arquitetura, e outro em Belas Artes.
Em 2013, após ser convidado pelo Centro de Arte Contemporânea Piramidón, uma famosa fundação de arte catalã, montou seu primeiro estúdio de arte na região, cedido por ela.
Ainda em 2013, já totalmente integrado ao mundo da arte, decide se afastar da carreira de arquitetura, e inicia viagens pelo mundo, por conta de fazer e participar de exposições com seus trabalhos, além de também visitar mostras de outros colegas artistas.
Em 2015, o já conhecido artista visual Luca Benites, começou a esboçar a ideia de empreender um novo projeto, que ele batizou de Projeto "Fogo", em que queimaria toda a sua obra.
Em 2016, divide essa ideia com sua esposa e seus pais, os deixando preocupados, pois já estava vivendo da venda de suas obras. Mesmo assim, o apoiaram na decisão.
Dando andamento ao projeto considerado audacioso e inovador, começou a juntar todas as suas obras espalhadas pelo mundo, que não foram comercializadas, ou que não fizessem parte de algum acervo particular.
Depois de reunir todos trabalhos em seu estúdio, em Barcelona, acabou impedido pelas severas leis ambientais do governo espanhol, que dificilmente permite a realização de fogueiras em seu território.
Então surgiu a possibilidade de realizar o projeto na Áustria, na propriedade de uma amiga, no alto de uma montanha, no povoado de Ebnit. E assim foi feito.
Já no final de 2016, para não ter problemas aduaneiros, Luca resolveu levar as 300 obras em pequenas quantidades, primeiro para Genebra, na Suíça, na casa de um amigo suíço. E quando tudo foi novamente reunido, seguiram numa camionete até Ebnit.
Chegando no local, também já estava por lá, uma equipe de sete amigos profissionais do áudio visual, que ele reuniu para registrar a queima, e fazer um documentário a respeito.
Com o prazo de apenas um dia para a gravar tudo, as obras foram colocadas na grama, e finalmente a queima teve seu início.
Luca entra em cena, ascende a fogueira, e leva uma obra por vez ao fogo. Registrado em mais de 5 mil fotos, e mais de 7 horas de vídeo.
E diante daquele "vazio" ao ver as cinzas, ele foi remetido ao mesmo vazio que sentiu num período delicado de sua vida, em que foi acometido por um tumor raro, aos 20 anos de idade, e que mesmo tendo se curado, o levou a ter o primeiro insight na vida, sobre o "valor do tempo".
E então, sentindo pela segunda vez a intensidade do vazio, entendeu que era um momento importante em sua vida. Um perecer para renascer.
Depois disso, Luca recolheu toda cinza, e a levou para Barcelona. E ao tocá-la, sentindo toda a potência do trabalho dedicado à arte ali, começou a colocá-las em ampulhetas, para mais uma vez questionar o "valor do tempo".
A primeira ampulheta foi feita em dezembro de 2017, e hoje faz parte da coleção do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, no Rio de Janeiro.
Luca ainda tem cinzas do Projeto "Fogo" para serem utilizadas em suas obras, mas já deu como encerrado. E o finalizou, com uma viagem de carro ao deserto do Atacama, no Chile, com objetivo de sentir o "vazio" em sua grandeza, indo literalmente ao vazio de um deserto.
A viagem também serviu para dar continuidade ao livro que ele já vinha escrevendo, e que terá o título "Manifesto ao Vazio".
Atualmente, outros projetos seus já estão em andamento tanto na Europa como no Brasil.
Saiba mais acessando: www.lucabenites.com
Comments
Post a Comment