Skip to main content

DAS RUAS ÀS BIBLIOTECAS: empresária supera drama familiar e escreve livro de auto ficção

A impressionante história de superação da criança que cresceu nas ruas e, sem julgar ninguém, venceu na vida. Lançamento aconteceu no dia 29 de setembro, em Guarulhos




Uma menina de três anos perdeu a mãe após o parto do irmão mais novo, em 1982. Ainda criança e sem o devido cuidado do pai, fugiu de casa depois de ser várias vezes atacada pela madrasta. A criança morou nas ruas - por muitos anos, entre idas e vindas - até o resgate, aos 11 anos, por suas tias.


Esta é uma história que, com certeza, geraria um sentimento de revolta na maioria das pessoas. Mas não para Luciene Müller, hoje empresária e escritora de 41 anos. Sem o olhar julgador – do qual foi vítima tantas vezes –, ela reencontrou o pai depois de anos aprendendo sozinha a enfrentar perigos e a sobreviver e decidiu transformar em páginas de amor fraternal o seu autoconhecimento.


Colo Invisível, livro que será lançado no dia 29 de setembro pela Format Editora, na qual Luciene é sócia com o marido Osmar Müller, resgata a sofrida história familiar da autora, que superou dramas particulares para realizar um sonho e escrever a sua primeira obra, partindo das vagas noções dos fatos. O livro é uma “auto ficção”, estilo literário que combina outros dois: a autobiografia e a ficção.


“Eu sempre escrevi. Sempre gostei de literatura. Muitas vezes eu dormi em uma biblioteca pública, por ser mais seguro do que na rua. Foi quando iniciei meu contato com o mundo da cultura e da literatura, mesmo longe das condições ideais para isso”, explica a autora.


O nome do livro remete aos “colos” que ela perdeu, aos que a acolheram e aos que a ajudaram a se transformar em uma mulher forte, de sorriso contagiante, atualmente empresária de sucesso em Guarulhos, na Grande São Paulo: além da Format Editora, ela divide com o marido a sociedade no bar Don Cordelli.


Na relação conturbada com o pai, Luciene acabou sendo afastada de seu irmão, que foi adotado por outra família e com quem, hoje, mantém uma relação de muito carinho. “O livro também é para o meu irmão. É para resgatar a história dele. Eu lembro vagamente que, quando minha mãe estava grávida dele, eu esperava seu nascimento ansiosamente para brincarmos juntos. Infelizmente, isso não foi possível”, diz.


Luciene também destaca que não pensa em se vitimizar ao expor suas memórias em Colo Invisível. Pelo contrário. “Eu quero, na verdade, ajudar pessoas que sofrem com dramas parecidos. Já faço isso há anos por meio de palestras. Foi justamente durante uma delas, em um albergue, que eu enxerguei a necessidade de publicar essa história. Quero muito que ela sirva de reflexão. Muita gente precisa saber que existe abandono afetivo, solidão infantil, violência doméstica, mas que tudo pode ser superado. Com leveza, união e sem qualquer tipo de julgamentos. Tudo passa”, pondera.


“A minha grande motivação ao publicar meus devaneios, questionamentos e memórias é jogar luz aos casos de crianças que crescem em ambientes disfuncionais e os impactos da negligência na transformação desses indivíduos. É mostrar que é possível buscar outros colos e que o conhecimento é um agente transformador”, salienta.


Nascida em São Paulo, Luciene Müller desenvolveu uma relação de amor com Guarulhos. Ela se mudou para a cidade quando decidiu morar sozinha, há mais de 20 anos. E foi no município que conheceu seu marido, Osmar, com quem construiu uma sólida relação e tem uma filha, a Jenny, de 22 anos.


“Guarulhos é tudo para mim. Foi onde renasci, conheci o amor da minha vida e me tornei a mulher que sou hoje”, finalizou a autora.

Comments

Popular posts from this blog

Bitcoin chega à 100 mil reais e Globalcripto já projetava isso em julho analisando discursos de CEOS

Antonio Neto Ais, CEO da Braiscompany  Por MAGNUM REIS  Em 29 de julho de 2020 quando o Global Cripto publicou a matéria “Bitcoin vai bater R$100 mil, afirma CEO da Braiscompany”, recebemos muitas mensagens de que isso seria praticamente impossível em 2020, ano pandêmico.   Entretanto, não foi isso que aconteceu. Hoje, dia 20/11/2020 o Bitcoin atingiu sua máxima histórica em reais, sendo negociado em mais de R$100 000,000 (cem mil reais). Não é novidade para ninguém que 2020 é um ano de muitos desafios econômicos e repleto de instabilidades políticas em todo o mundo, além disso a Pandemia Covid-19 já vitimou mais de 1 milhão de pessoas e os primeiros resultados de testes clínicos de uma provável vacina ainda estão sendo publicados, gerando ainda mais incertezas econômicas, sobretudo no varejo.  Tais instabilidades fizeram com que mais de 100 milhões de pessoas ingressassem no mercado de criptoativos apenas no último ano, justamente para diversificar aportes...

Sua Empresa Já Tem Uma Cultura — A Questão é: Ela Está Te Levando Pra Onde

Por Rodrigo Callegari* Muitos empresários acreditam que “um dia vão construir a cultura organizacional da empresa”. Mas aqui vai uma verdade direta: a sua empresa já tem uma cultura. Mesmo que você nunca tenha pensado nisso. A cultura está nas entrelinhas, nos comportamentos que se repetem, nas atitudes que se toleram, nos líderes que você promove e nas conversas que acontecem nos corredores. Ela se revela não no discurso, mas no dia a dia. É como um sistema operacional invisível, que orienta a forma como sua equipe trabalha, decide, atende e se comporta. E o que poucos percebem é que essa cultura pode ser sua maior força… ou seu maior sabotador de resultados. O que está por trás das metas não batidas? Muitas vezes, é a cultura. Quando um vendedor finge que não viu a mensagem do cliente no WhatsApp, quando um líder culpa o time, mas não dá exemplo, quando o “jeitinho” passa por cima do processo bem feito… tudo isso forma e reforça a cultura da empresa. E aí entra a provocaç...

Como a força de trabalho se reinventa na era da inteligência artificial

O ponto de virada da IA Há pouco mais de cinco anos, inteligência artificial (IA) era um experimento restrito a pilotos isolados. Hoje, sete em cada dez fabricantes globais utilizam IA de forma regular e 65 % implantaram modelos generativos em ao menos uma função do negócio, segundo o relatório de State of AI 2025 da McKinsey. Mais que um brilho tecnológico, a adoção tornou‑se imperativo econômico: empresas com alta intensidade digital registram três vezes mais crescimento de receita por empregado do que as demais.  Ao mesmo tempo, o Future of Jobs Report 2025 do Fórum Econômico Mundial projeta que 23% dos cargos industriais sofrerão mudanças radicais até 2027. O balanço previsto, 69 milhões de postos criados e 83 milhões eliminados, parece preocupante, mas revela uma oportunidade: as vagas não desaparecem, elas se transformam. A nova guerra por talentos Com algoritmos espalhados pela linha de produção, o recurso mais escasso deixou de ser o robô ou o servidor em nuvem:...