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De Wall Street para a Faria Lima: o novo roteiro da Avenue

 


No fim de 2018, a campainha da Nasdaq soou para marcar o lançamento da Avenue Securities. A corretora chegava ao mercado com o plano de democratizar o acesso de investidores latino-americanos, em especial, os brasileiros, a títulos de renda fixa e a ações de empresas nas bolsas dos Estados Unidos.

Depois de oferecer uma via para encurtar o caminho desses investidores até Wall Street, a companhia está incluindo um novo roteiro para seguir fazendo barulho. O ponto de partida da estratégia está sendo anunciado hoje, com a compra da brasileira Coin DTVM, operação coligada à corretora Coinvalores.

A aquisição, cujos termos financeiros não foram revelados e que ainda depende de aprovação do Banco Central, envolve unicamente as licenças e autorizações da Coin DTVM para que, na prática, a Avenue possa atuar como corretora também no mercado brasileiro.

“Estamos preparados para competir”, diz Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue, em entrevista ao NeoFeed. “E a ideia é concorrer, de verdade, com os players da Faria Lima”, acrescentou, em uma referência ao corredor financeiro, em São Paulo, que concentra boa parte dos grandes nomes do setor.

Com esse movimento, a Avenue amplia o leque de ofertas à disposição dos clientes, que passam a ter a opção de investir tanto nos Estados Unidos como no Brasil, por meio da mesma plataforma.

Até então, a atuação da empresa no Brasil se dava por meio de uma parceria com a distribuidora de valores Vitreo. Restrito à captação de clientes para sua oferta no exterior, o acordo foi firmado no início deste ano, em atendimento a uma exigência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A operação local, que ainda depende da aprovação do Banco Central, será liderada por Carlos Ambrosio. Atual presidente da Anbima e um dos sócios da Avenue, ele reforça as ambições da empresa. “Nosso plano é colocar a Avenue entre as maiores marcas de empresas de investimento do País.”

Enquanto aguarda o sinal verde do Banco Central, a Avenue já trabalha nos primeiros passos para estruturar o negócio no País. Além da formação do time local, o pontapé será dado com o investimento para adaptar todos os seus sistemas ao mercado brasileiro.

“É um processo muito similar ao que fizemos nos Estados Unidos, quando estruturamos tudo enquanto a aprovação da licença corria em paralelo”, afirma Ambrosio. “Queremos estar prontos para começar a campanha de aquisição de clientes assim que obtivermos a autorização.”


Caminho inverso


Segundo Lee, a decisão de fazer o caminho inverso e colocar o Brasil efetivamente no mapa da Avenue já estava nos planos desde o início da empresa. Mas foi acelerada em virtude de um contexto no qual “todos os astros se alinharam”.

“Já era um caminho natural na nossa estratégia, só não achávamos que seria tão rápido”, afirma Lee, destacando a combinação de fatores como a redução drástica na taxa básica de juros e o salto no volume de investidores pessoa física na bolsa de valores brasileira.

Em julho, de acordo com dados da B3, o número de investidores ativos desse perfil no País chegou a 2,82 milhões de pessoas. Há cinco anos, esse segmento na bolsa totalizava 557 mil investidores na bolsa de valores brasileira.

Para competir no mar cada vez mais aberto dos bancos, plataformas e corretoras do mercado brasileiro, a Avenue entende que está trazendo dois trunfos na bagagem. O primeiro deles é o modelo construído pela empresa, fortemente apoiado em tecnologia e na digitalização de todo os processos.

Com essa pegada, a companhia reduz, por exemplo, o tempo de abertura de uma conta no exterior de dias para minutos. E, com uma operação mais enxuta, Lee afirma que consegue praticar taxas mais acessíveis em sua oferta. “Os modelos de atuação no Brasil são caros, foram desenhados para outros momentos do mercado e ainda são restritos, em sua maioria, ao público private”, diz Lee.

Ele cita como uma das referências desse novo formato digital o aplicativo americano Robinhood, avaliado em US$ 11,2 bilhões e que, apenas em 2020, captou US$ 800 milhões junto a fundos como Sequoia Capital, IVP e TSG Consumer Partners.

No caso da Avenue, o modelo começou a ser construído em 2017. Com mais de vinte anos de experiência no setor, Lee já havia fundado outras duas corretoras: a WinTrade e a Clear, empresa que foi adquirida pela XP Inc. em 2012 e que se consolidou como um braço essencial da companhia de Guilherme Benchimol na captação de investidores.

Desde a sua fundação, além de Ambrosio, a Avenue atraiu investidores e sócios de peso como a e.bricks ventures; a Vectis Partners, de Paulo Lemann, Patrick O’Grady e Alexandre Aoude; Christian Klotz, da Brasil Capital; e Marco Kheirallah, ex-BTG e PDG.

Com esse time à frente da operação, a segunda carta na manga da Avenue é justamente a tração que a empresa ganhou em pouco mais de um ano do início de sua operação oficial nos Estados Unidos. Hoje, a empresa tem uma base de 140 mil clientes e mais de US$ 400 milhões sob custódia no mercado americano.

“Nós aprendemos a trabalhar no digital em um mercado que é extremamente competitivo e que já tem juros baixos há muito tempo. E vamos trazer essa mesma lógica para o Brasil”, afirma Lee. “Os mais de dois milhões de investidores na bolsa brasileira ainda não são nem o começo dessa história. E estamos chegando para chacoalhar esse mercado.”


Fonte: NeoFeed

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